• Carol Neris

Vale a pena ler a Arte da imperfeição da Bené Brown?


Comprei o livro por impulso depois de umas passeadas pelas prateleiras da livraria. Foi metade impulso, metade curiosidade. Já tinha ouvido tanto sobre a Bené Brown, as palestras, os livros e decidi comprovar se era tudo isso mesmo ou apenas mais uma onda de “melhore sua autoestima”.


A pesquisadora Bené Brown discorre nesse livro sobre os fatores indispensáveis para uma vida plena – amor e pertencimento – e que só encontramos verdadeiramente isso sendo nós mesmos. Imperfeitos, porém totalmente dignos de amor e aceitação. Ao longo de suas pesquisas sobre a vergonha ela encontrou uma série de pessoas que pareciam viver uma Vida Plena, amando de todo o coração, sendo amados e com conexões profundas.


Ao investigar mais de perto a vida dessas pessoas ele se fez uma pergunta: o que gera conexões profundas? A Reposta: amor e pertencimento. De acordo com ela a base para esse lugar de plenitude está relacionada a três palavras: coragem, compaixão e conexão. A autora vai descrever o que são estas três coisas e como elas estão interligadas formando a base da arte da imperfeição.


O olhar da pesquisadora é bem esse mesmo: aceitar a nossa imperfeição exige coragem, compaixão e gera conexões profundas. Para Bené, as pessoas que amam de todo coração e vivem plenamente não são perfeitas, mas aprenderam a abraçar sua história com tudo o que são, encarando com compaixão suas vulnerabilidades.


“Assumir nossa história pode ser difícil, mas nem de longe é tão difícil quanto passarmos a vida fugindo dela. Aceitar nossas vulnerabilidades é arriscado, mas nem de longe é tão perigoso quanto desistir do amor, do pertencimento e da alegria — as experiências que mais nos tornam vulneráveis. Só quando tivermos coragem suficiente para explorar as trevas é que descobriremos o poder infinito da nossa luz.”

A partir de muitas entrevistas com pessoas que viviam plenamente, a pesquisadora chegou a 10 diretrizes que essas pareciam pessoas manter em suas vidas e dedicou um capítulo a cada uma delas. As diretrizes envolvem cultivar: a autenticidade; a autocompaixão; espírito resiliente; a gratidão e alegria; a intuição e a fé confiante; a brincadeira e o descanso; a criatividade; calma e quietude; trabalho significativo, o riso a dança e a música.


Apesar de trazer conceitos claros e exercícios práticos não há promessas baratas ou milagrosas no livro. Talvez por isso seja tão inspirador. Como as próprias diretrizes apontam são hábitos que devem cultivados, o que demanda tempo, esforço, intenção, mudança de postura. Como a própria Bené Brown fala “viver plenamente não é uma escolha que se faça uma só vez. É um processo. Na verdade, acredito que é a jornada de uma vida inteira.”

O medo de ser um mais um livro de autoestima raso e barato era real, mas essa expectativa não se confirmou!! O livro é maravilhoso. É uma leitura gostosa e necessária. Eu dou 10/10.

Se você ainda ficou em dúvida ou quer saber mais eu listei 6 motivos para ler “Arte da imperfeição” da Bené Brown.


6 motivos para ler “Arte da imperfeição” da Bené Brown.


1- É uma leitura fácil, prazerosa e acessível.

Linguagem clara e gostosa ler.

Bené escreve como quem conversa e o livro é recheado de histórias. Crédito total também da tradutora Lúcia Ribeiro da Silva que fez um ótimo trabalho. O livro parece ter sido escrito em português.


2- Temas que precisamos falar:

Bené Brown aborda temas como compaixão, perfeccionismo, vergonha, resiliência, gratidão, conexão, amor, medo e pertencimento de um modo profundo e simples. Uma das coisas que mais gostei é que ela não expõe os temas de uma forma genérica e não toma o senso comum como parâmetro, como se todos achássemos que as palavras têm o mesmo significado. Ela sabe que não é assim.


“Prefiro debates sobre o significado das palavras que são importantes para nós à ausência de discussão sobre elas.” Bené Brown

Também não é tocar no tema por tocar. Há um propósito. A questão é como cada uma dessas coisas ajuda ou atrapalha na busca de uma vida plena, quais são as correlações e implicações.


3- Ela sabe do que está falando.

Como eu já disse não é mais um livro sobre autoajuda com clichês e lugares comuns. Bené Brown é uma pesquisadora e traz no livro o resultado de suas pesquisas de modo consistente e transparente. Inclusive, no final da obra explica como suas pesquisas são realizadas. As referências, trabalhos consultados, obras completares estão à disposição leitor. Aliás, isso é outro ponto benéfico do livro.


4- Referências e caminhos alternativos para quem quer saber mais

Se você se interessar mais por alguns dos temas ou estudos citados, a autora aponta exatamente onde e como saber mais. Há um série de livros e sites indicados ao longo dos capítulos para quem desejar se aprofundar mais em algum dos pontos abordados.


5- Parte prática

Ao final de cada diretriz a autora apresenta o tópico RIA – Reflexão, Inspiração, Ação. Bené traz exemplos de como ela faz o próprio RIA em cada diretriz incentiva o leitor a montar o seu checklist de Reflexão, inspiração e ação. Isso traz uma dimensão positiva ao livro, pois guia o leitor para a transição entre a teoria apresentada e prática.


6- Refletir sobre a própria história

Como alguém que ama contar histórias não poderia deixar de fora esse baita motivo. A história pessoal vai fazer parte de todo o enredo do livro. Aceitar quem somos envolve aceitar e encarar a nossa história. Abraçá-la. Se você está nesse processo, esta leitura vai ajudar bastante.


Também para quem conta a história dos outros é um ponto interessante. Como nos relacionamos com a nossa história, diz muito sobre como vamos nos relacionar com as histórias dos outros. Além de ajudar a identificar como o outro lida com os temas sensíveis de sua vida como vergonha e medo, o livro trazer lições valiosas para colocar em prática no momento de gerar conexão com outras pessoas. E se há algo que pessoas que contam histórias precisam é saber gerar conexão.


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